quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Microbioma humano comporta 10 bactérias para cada célula do corpo

Um ser humano saudável normalmente convive em harmonia com suas bactérias. Com a pesquisa, fruto do Projeto Microbioma Humano dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, poderemos compreender como instabilidades nos microorganismos que habitam nosso corpo podem causar doenças.

foto: Centers for Disease Control and Prevention
Bactéria Enterococcus faecalis, que vive no intestino humano


Pesquisadores do Projeto Microbioma Humano (em inglês HMP) dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) anunciaram na quarta-feira, dia 13 de junho, em uma transmissão de teleconferência para a imprensa, um importante resultado do mapeamento da composição microbiana do homem, referente ao conjunto dos microorganismos que habitam o corpo humano.

Foram identificadas mais de 10 mil espécies de micróbios vivendo no ecossistema dos seres humanos, ou seja, trilhões de microorganismos, o que representaria, segundo cientistas do HMP, entre 81 e 99% do total dos gêneros de bactérias que vivem dentro e na superfície de um adulto saudável. O diretor da Divisão de Iniciativas de Planejamento, Coordenação e Estratégia dos NIH, James M. Anderson, acredita que o resultado tenha definido os limites da variação microbiana em seres humanos normais.

Diferentemente do que foi feito até agora, quando cada micróbio era analisado isoladamente em culturas nos laboratórios, o grupo de organismos foi verificado dentro do contexto do corpo humano, como parte integrante dele.

Foram recrutados 242 voluntários, sendo 129 homens e 113 mulheres dos EUA, dos quais foram retiradas amostras de tecidos de 15 partes do corpo masculino e 18 do feminino, de locais como nariz, pele, boca, intestino e genitais. Em cada parte foram identificadas uma variedade de organismos tão diversa quanto os que vivem em uma floresta tropical.

Curiosidades sobre os resultados

Com a descoberta foi possível saber com mais detalhes, por exemplo, a importância dos seres microbianos em nossa digestão. Lita M. Proctor, diretora do programa HMP conta que o ser humano não possui todas as enzimas necessárias para digerir os alimentos e que, no intestino, micróbios auxiliam a quebrar proteínas, lipídios e carboidratos para que nosso corpo possa melhor absorvê-los. Estas bactérias também produzem compostos como vitaminas e anti-inflamatórios que o genoma humano seria incapaz de fabricar.

Contra nossos 22 mil genes que codificam proteínas, o microbioma possui 8 milhões de genes codificadores, o que o torna peça fundamental para a sobrevivência de nossa espécie. Apesar de todas essas ligações intrínsecas para o bom funcionamento de nosso sistema vital, os microorganismos representam apenas de 1 a 3% da massa do corpo de um indivíduo adulto.

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