Um ser humano saudável normalmente convive em harmonia com suas bactérias. Com a pesquisa, fruto do Projeto Microbioma Humano dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, poderemos compreender como instabilidades nos microorganismos que habitam nosso corpo podem causar doenças.
|
Pesquisadores do Projeto Microbioma Humano (em inglês HMP) dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH) anunciaram na quarta-feira, dia 13 de junho, em uma transmissão de teleconferência para a imprensa, um importante resultado do mapeamento da composição microbiana do homem, referente ao conjunto dos microorganismos que habitam o corpo humano.
Foram identificadas mais de 10 mil espécies de micróbios vivendo no ecossistema dos seres humanos, ou seja, trilhões de microorganismos, o que representaria, segundo cientistas do HMP, entre 81 e 99% do total dos gêneros de bactérias que vivem dentro e na superfície de um adulto saudável. O diretor da Divisão de Iniciativas de Planejamento, Coordenação e Estratégia dos NIH, James M. Anderson, acredita que o resultado tenha definido os limites da variação microbiana em seres humanos normais.
Diferentemente do que foi feito até agora, quando cada micróbio era analisado isoladamente em culturas nos laboratórios, o grupo de organismos foi verificado dentro do contexto do corpo humano, como parte integrante dele.
Foram recrutados 242 voluntários, sendo 129 homens e 113 mulheres dos EUA, dos quais foram retiradas amostras de tecidos de 15 partes do corpo masculino e 18 do feminino, de locais como nariz, pele, boca, intestino e genitais. Em cada parte foram identificadas uma variedade de organismos tão diversa quanto os que vivem em uma floresta tropical.
Curiosidades sobre os resultados
Com a descoberta foi possível saber com mais detalhes, por exemplo, a importância dos seres microbianos em nossa digestão. Lita M. Proctor, diretora do programa HMP conta que o ser humano não possui todas as enzimas necessárias para digerir os alimentos e que, no intestino, micróbios auxiliam a quebrar proteínas, lipídios e carboidratos para que nosso corpo possa melhor absorvê-los. Estas bactérias também produzem compostos como vitaminas e anti-inflamatórios que o genoma humano seria incapaz de fabricar.
Contra nossos 22 mil genes que codificam proteínas, o microbioma possui 8 milhões de genes codificadores, o que o torna peça fundamental para a sobrevivência de nossa espécie. Apesar de todas essas ligações intrínsecas para o bom funcionamento de nosso sistema vital, os microorganismos representam apenas de 1 a 3% da massa do corpo de um indivíduo adulto.
Nenhum comentário:
Postar um comentário